Na delicadeza das horas, vou te reinventando no meu pensamento. Faço a lembrança de um homem que é o teu oposto, achando que assim deixo de gostar de ti. Mas meu coração não é tolo, sabe bem que aquelas não são coisas tuas; são - na verdade - o avesso de toda a doçura que tu és. E por ver-te tão encaixado nas virtudes que mais admiro e esperava há muito encontrar em um amor, sei que nada há de te arrancar daqui. Em mim uma morada se fez pronta para te abrigar. As portas abertas te esperam e não é de hoje. O vento que bate nas janelas escancaradas faz as cortinas dançarem enquanto tu não vens. E eu fico deitada nessa rede que tem um espaço exato do teu tamanho, querendo sentir novamente o teu abraço que parece ter ficado moldado no meu corpo. Olho pro céu de um azul infinito, perco-me em miudezas nossas - que agora são só saudades - e sonho sem precisar dormir, imaginando como vai ser colorido e perfumado o dia em que tu chegares...
segunda-feira, 1 de agosto de 2005
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