Algumas perdas são absolutamente irreparáveis. Pessoas queridas se vão, deixando em nós um vazio que nada é capaz de preencher. Fica aquele gosto amargo na boca, uma sensação de que o tempo não está sendo generoso conosco, passando nessa lentidão que arrasta nossos dias rumo ao sabe-se lá o quê. Os olhos ficam perdidos em lembranças de um passado que se foi pra sempre. O coração sobrevoa de longe todos os sonhos feitos para um amanhã que nunca vai chegar. A gente chora baixinho uma dor que é só nossa, que não sangra, mas que tarda em ir embora. O sol continua iluminando nossos dias, mas o brilho já não é o mesmo. A lua visita nossa janela, mas nenhuma estrela parece estar ao nosso alcance. E a gente aceita aquele desconforto no peito, porque sabe que não há outra saída. Lamenta não ter tido a chance de se despedir e tenta, como pode, desfazer aquele sentimento que tinha um destinatário certo. Sabendo que nunca, mesmo que se passem séculos, irá experimentar o que sentiu por aquela pessoa que se foi. Porque nenhuma pessoa substitui outra. Porque não há amores iguais. E, portanto, padecemos sobre a certeza de que aquela ausência em nós jamais vai deixar de existir.
terça-feira, 2 de agosto de 2005
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