terça-feira, 20 de junho de 2006

Amenizando




Algumas coisas a gente simplesmente não tem como mudar, ou até tem, mas não na velocidade em que gostaria, ou com a dedicação que deveria, ou da forma que seria mais agradável fazer. Algumas coisas a gente tem que viver uma, duas, três, vinte vezes até aprender. E se não aprende vai morrer repetindo, porque a vida, meu bem, parece ser mesmo esse joão-bobo que não dá sossego até que a gente entenda direitinho a lição. Algumas coisas que a gente não aprendeu, voltam ainda maiores, como que testando nossa capacidade de resolver o que tem que ser resolvido e de passar para a próxima fase, exatamente como acontecia quando jogávamos vídeo-game e não sossegávamos enquanto o vilão não aparecia morto e esturricado ou enquanto a bandeirinha de ‘Congratulations’ não tremulava na tela. Algumas coisas a gente pensa que aprendeu e se atreve até a ensinar aos outros. E porque pensa que aprendeu, a gente acha que não precisa mais ficar atento, de rabo de olho espiando, de sobreaviso, alerta ao perigo de cometer o mesmo erro. Fatal! Acaba descobrindo que não aprendeu nada, porque tropeçou de novo naquela mesma pedra, naquele mesmo lugar. Algumas coisas a gente aprende, mas aprende errado e segue teimando pela vida como se fosse certo. E briga com aqueles que não concordam, repele aqueles que dão conselhos (ok, conselhos servem mesmo pra quê?) e se fecha para a possibilidade de realmente aprender como deveria. Já as coisas que a gente aprende como tem que aprender, essas sim, ficam em nós como uma memória viva, a todo momento cutucando nossa sanidade para que continuemos acertando. E são essas coisas que eu sei que estão guardadas em algum lugar de mim, só não me lembro exatamente onde...

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