Como eu invejo as crianças! Sabem tão pouco da vida... E eu, que já não sou uma delas, sinto saber menos ainda e sofro. Sofro porque a mim não é dado o direito de experimentar os dias e seus vendavais sem passar pela aspereza, porque não tenho a menor chance de ser poupada da dor como elas são. Sofro porque já fui criança e sei que jamais voltarei a ser...
As crianças carregam em si a mágica de descobrir sua própria existência sem ter consciência de que o fazem. Não há decepções, sonhos brutalmente atropelados pelas impossibilidades, medo de não conseguir ser o que se almeja. Elas têm todo o tempo do mundo e nenhuma pressa. São abençoadas com a sorte de estarem saboreando tudo pela primeira vez. Só existem começos, o fim é mero desconhecido.
Sobre seus pequenos ombros não existem culpas, decisões a serem tomadas, arrependimentos ou dúvidas. Elas engatinham pela estrada com a leveza de não ter um passado fazendo sombra. Não há o que esquecer, o que superar, o que deixar pra trás. Crianças são autênticas, não precisam desempenhar papéis, esconder sentimentos, abafar palavras.
Agradam a si mesmas e com tão pouco, que a felicidade para elas se resume a existir. E, olha que incrível: todo mundo gosta delas assim! Ninguém espera que elas sejam mais do que podem ser. São aceitas, são amadas, são acolhidas... Jamais julgadas! Carregam em si uma pureza real, aquela que não é por escolha ou convicção. São puras, pois não existe outra maneira. Dormem amparadas por anjos e despertam para o dia seguinte com o toque suave de uma mãe orgulhosa e feliz; disposta a lhes dar alimento, afeto e a própria vida, se preciso for.
Crianças caem também, mas seus tombos não causam nada além de um arranhão que é curado minutos depois com um beijo de carinho. Elas têm o direito de errar, muitas vezes, pelo mesmo motivo. E se não aprendem nada com seus próprios erros hoje, tudo bem. Há tantos amanhãs por vir... A compreensão do mundo está ali, esparramada diante de seus pezinhos gorduchos. Só o que se espera é que elas cresçam.
Crianças choram, como eu. Portanto, não há motivo para sentir inveja. (...) É verdade, elas choram. Mas não pelo sofrimento, pelo correr de dias vazios, pela inquietude no coração, pela dificuldade de encontrar motivos para sorrir. Choram por depararem-se tão cedo com a falta, essa mesma que nos acompanha por toda a vida e com a qual eu ainda não aprendi a lidar...
Ainda assim eu invejo as crianças, porque elas choram por ausências que são imediatamente supridas. Um peito cheio de leite, uma fralda limpinha, um banho quente ou um colo onde podem se aconchegar. E a falta que sinto - essa que criança nenhuma conhece - além de ser infinitamente maior, nada nem ninguém pode fazer sumir.
As crianças carregam em si a mágica de descobrir sua própria existência sem ter consciência de que o fazem. Não há decepções, sonhos brutalmente atropelados pelas impossibilidades, medo de não conseguir ser o que se almeja. Elas têm todo o tempo do mundo e nenhuma pressa. São abençoadas com a sorte de estarem saboreando tudo pela primeira vez. Só existem começos, o fim é mero desconhecido.
Sobre seus pequenos ombros não existem culpas, decisões a serem tomadas, arrependimentos ou dúvidas. Elas engatinham pela estrada com a leveza de não ter um passado fazendo sombra. Não há o que esquecer, o que superar, o que deixar pra trás. Crianças são autênticas, não precisam desempenhar papéis, esconder sentimentos, abafar palavras.
Agradam a si mesmas e com tão pouco, que a felicidade para elas se resume a existir. E, olha que incrível: todo mundo gosta delas assim! Ninguém espera que elas sejam mais do que podem ser. São aceitas, são amadas, são acolhidas... Jamais julgadas! Carregam em si uma pureza real, aquela que não é por escolha ou convicção. São puras, pois não existe outra maneira. Dormem amparadas por anjos e despertam para o dia seguinte com o toque suave de uma mãe orgulhosa e feliz; disposta a lhes dar alimento, afeto e a própria vida, se preciso for.
Crianças caem também, mas seus tombos não causam nada além de um arranhão que é curado minutos depois com um beijo de carinho. Elas têm o direito de errar, muitas vezes, pelo mesmo motivo. E se não aprendem nada com seus próprios erros hoje, tudo bem. Há tantos amanhãs por vir... A compreensão do mundo está ali, esparramada diante de seus pezinhos gorduchos. Só o que se espera é que elas cresçam.
Crianças choram, como eu. Portanto, não há motivo para sentir inveja. (...) É verdade, elas choram. Mas não pelo sofrimento, pelo correr de dias vazios, pela inquietude no coração, pela dificuldade de encontrar motivos para sorrir. Choram por depararem-se tão cedo com a falta, essa mesma que nos acompanha por toda a vida e com a qual eu ainda não aprendi a lidar...
Ainda assim eu invejo as crianças, porque elas choram por ausências que são imediatamente supridas. Um peito cheio de leite, uma fralda limpinha, um banho quente ou um colo onde podem se aconchegar. E a falta que sinto - essa que criança nenhuma conhece - além de ser infinitamente maior, nada nem ninguém pode fazer sumir.

Nenhum comentário:
Postar um comentário