Eu tenho medo de não ter tempo, por isso ando acelerada, me jogo de cabeça, me atiro sem medo, me permito viver de verdade o que considero bom pra mim. Por conta disso já quebrei a cara, já fiz besteira, já chorei um tanto e tive que aprender a me refazer sem a ajuda de ninguém. Mas eu consegui, porque sabia que a quem é dada a coragem de viver também é dada a força de recomeçar sempre que for preciso.
Eu tenho medo de não ter tempo e isso me faz ter medo de escolher o errado, de caminhar apressada e não reparar na paisagem, de querer devorar as horas e acabar por não vivê-las.
Eu tenho medo de não ter tempo e por conta disso não sei esperar pelo futuro. A urgência é sempre tamanha que nada pode ser pra depois, porque o depois, sabe-se lá se vai vir.
Eu tenho medo de não ter tempo. E só quem tem esse medo sabe o quanto cada dia é valioso, cada presença é bem-vinda, cada gesto é guardado com carinho na memória, cada palavra é sentida e escrita no coração. Só quem tem esse medo, esse desespero em viver, pode entender como é fácil sorrir na manhã seguinte, só porque se tem mais um dia.
E isso é tudo que eu peço antes de dormir... Mais um dia.
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