sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Hurry


Eu não aprendi a lidar com o ‘ainda não’. Tudo que demora me transtorna, me deixa à flor da pele, me mata em doses suaves de sadismo. Fico absorta, perco o sono, o brilho, o bom humor. Eu não aprendi a esperar e a vida tem me mostrado, a duras penas, o caminho da paciência. Eu fujo, me esquivo, me faço de louca, porque detesto admitir que a demora é necessária até mesmo quando a gente está cheio de pressa. O futuro onde desenho meus dias é sempre pra ontem. A urgência me faz querer correr mais que as horas. Não administro a lentidão, o talvez, a morosidade das decisões que já deveriam ter sido tomadas. E o tempo, cruel, parece brincar de me fazer sofrer. Caminha a passos bem miúdos, faz pouco caso da minha ansiedade, tarda a fazer amanhã o que ainda é hoje. E eu me canso, porque não aprendi a esperar. Nove meses na barriga foi o máximo que pude suportar. Aqui fora todos os minutos parecem longos demais até o finalmente. Mas eu hei de aprender. Ou enlouqueço...

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