Às vezes me perco. Penso ser capaz de abrir mão de todos os sonhos, logo depois me arrependo. Penso conseguir me contentar com menos, mas vejo que a insatisfação acaba dando as caras. Penso estar começando a caminhar a passos lentos, quando me dou conta estou correndo. Penso ser possível não me empolgar, não fazer planos, não desenhar o futuro, até perceber que minha mente não se aquieta e lá estou eu visitando os dias que ainda não vieram. A limitação me ensinou a esperar, a me contentar com o possível e não mais com o desejado. Fez com que eu começasse a criar alternativas, planos B, saídas de emergência, para o caso de tudo sair diferente do que eu planejei. E até que venho me adaptando bem. O problema é que às vezes cansa ter que se conformar, ter que aceitar, ter que engolir a realidade não tão doce. Às vezes dá vontade de conseguir de um jeito mais fácil, de não demorar tanto, de acontecer como foi sonhado, só pra variar um pouco. Eu não quero desistir, nem desanimar, nem perder a fé, muito menos pensar que nunca vai ser diferente disso. Mas tem dias em que é impossível manter o otimismo diante da mesmice indigesta do que não é, de tudo que ‘ainda não’ ou ‘quase’.
terça-feira, 18 de julho de 2006
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