Não vou falar das tempestades, das manhãs amargas, das noites perdidas entre exclamações e silêncios. Porque o tempo passou e o que temos nas mãos são apenas as conchas, recolhidas na areia, os sorrisos soltos à luz da lua, as frases ditas naqueles minutos antes do sono chegar. Não vou falar dos arranhões que deixei estampados nos braços da tua generosidade, nem dos hematomas que surgiram nas costas da minha consideração. Porque o sol veio iluminar o dia e cuidou de cicatrizar as feridas, amenizar as dores... Soprou pra longe o desconforto que já não é mais nosso. Não vou falar da falta, dos nossos quereres que não serão atendidos, dos planos que as impossibilidades nos fizeram adiar. Porque a completude é grande, extrapola todas as fronteiras e o futuro que ainda não nos atrevemos a sonhar se esparrama sobre nós em forma de hoje. Não vou falar do que não é. Porque não saberia. Vou falar do que aprendi a decifrar no teu silêncio. E o nome disso eu sei, é amor.
terça-feira, 23 de maio de 2006
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