segunda-feira, 15 de maio de 2006

Descobertas

Ela, que tinha como companhia apenas o tempo e seu poder de revelar verdades, optou por aguardar antes de partir. Deu nova chance ao destino, sem saber se de fato acreditava nele. Sentou-se à margem de um rio e ficou a observar o suave movimento das águas. Ouviu o canto dos pássaros, tocou com as mãos a terra molhada, entendeu-se parte daquele universo de Deus. Guardou suas dúvidas numa grande caixa e prometeu a si mesma um pouquinho mais de paciência.
De alguma maneira passou a crer que em breve poderia abri-la e finalmente a descobriria vazia. Confiou. Ofereceu sua esperança àquele amor que lhe parecia tão verdadeiro. Calou-se para que as palavras pudessem chegar sem precisar dizê-las ou ouvi-las. Esperou, sabendo do sacrifício que fazia, já que não suportava mais esperar. Queria ver a vida acontecendo urgentemente, mas camuflou a pressa com o que lhe restava da fé.
Pediu apenas que ele fosse breve, pois não lhe cabia mais alimentar sonhos se não fosse para vê-los reais. Ele prometeu pensar e decidir, a seu tempo. Mas as horas custaram a passar. Os dias ficaram grandes demais para ela. A distância dos sorrisos lhe trouxe novas incertezas. E a saudade (do que foi e do que ainda nem veio a ser) lhe cortava a alma.
Atormentada por aquele silêncio, a doce menina cansou de esperar. Entregou a caixa aos anjos, arrumou seu vestido e foi caminhar. Embora soubesse que carregava consigo aquele amor, tratou de não mais pensá-lo.
Descobriu, depois de tantas tentativas, que não é possível dar aos outros as certezas que precisam ter. Cada qual vive seus dramas e faz as escolhas que quer, mesmo quando acredita não fazê-las. A ela não cabia mais nada, senão aceitar sua fragilidade diante da vida. E a tristeza de não poder salvar aquele lindo amor.

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