sexta-feira, 22 de julho de 2005

O dia depois de ontem

E eu vou, com muito esforço e nenhum prazer, tentando me desvincular de você. Vou aprendendo a me orientar longe de tuas pegadas, tecendo o futuro sem ousar incluir-te na trama, caminhando lentamente porque sei: qualquer movimento brusco pode me ferir novamente. E abrir a ferida - que ainda ensaia cicatrizar - seria doloroso demais para um dia frio e triste como esse. Escuto um silêncio aqui dentro, murmurando palavras doces que me lembram as nossas conversas. Finjo uma surdez repentina; não quero ouvir, não posso ouvir. Porque se ouço, volto no tempo, perco-me nas lembranças felizes dos poucos encontros que tivemos e sinto vontade de chorar. Uma frase solta, uma melodia conhecida, um verso meu e pronto... Choro a saudade toda. Meus olhos turvam-se com uma neblina que arde e embaralha a realidade, fazendo tudo parecer sem o brilho que pairava sobre os meus dias em companhia tua. Em certos momentos, uma sensação estranha me furta os sentidos. Sinto-me sendo tragada para dentro de um túnel escuro, de onde não saberia sair se não houvesse uma mão estendida para me resgatar. E é incrível como você sempre aparece nessa hora. Quando preciso tanto ser salva. E quando já desacreditei que alguém pudesse ouvir meu pedido de socorro.

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